segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A internet e seu futuro "sombrio"

Prometeu Acorrentado (pintura de Dirck van Baburen - 1595-1624). Foto: Reprodução da Internet

Um relatório divulgado recentemente pelo Pew Research Center traça um futuro "sombrio" para a internet.  Matéria produzida pelo The New York Times e publicada no Brasil pela Folha de S. Paulo (22/07/14) mostra que o terceiro volume da série "A Vida Digital em 2025", o relatório "Ameaças à Rede", traz especialistas falando em "novas violações das liberdades on-line por governos"; "monitoramento e uma queda da confiança"; e um "'esmagamento' da criatividade individual por causa do controle de grandes companhias".

No estudo, foram ouvidos 1.400 pensadores de tecnologia. O detalhe é que as entrevistas foram realizadas entre novembro de 2013 e janeiro de 2014, era pós-Snowden. É possível que o clima provocado pelas revelações de espionagem da NSA contra cidadãos comuns tenha contaminado a resposta dos especialistas.

Para se ter uma ideia, a palavra "ameaça" apareceu 75 vezes.

O fato é que, tanto na sociologia quanto na filosofia da técnica, a literatura está repleta de visões catastrofistas sobre a tecnologia e, por tabela, sobre a internet. Jacques Ellul, Paul Virilio, Jean Baudrillard... Todos veem a tecnologia como dominação, perda de autonomia, alienação. Seria o lado obscuro da ciência enquanto tecnologia - a técnica como fim, não como meio - que termina causando inúmeros problemas econômicos e sociais.

Na história do pensamento, as tradições fáustica e prometeica vão bem mais longe, como explica Hermínio Martins:

"a tradição Prometeica liga o domínio técnico da natureza a fins humanos e sobretudo ao bem humano, à emancipação da espécie inteira e, em particular, das “classes mais numerosas e pobres” (na formulação Saint-Simoniana). A tradição Fáustica esforça-se por desmascarar os argumentos Prometeicos, quer subscrevendo, quer procurando ultrapassar (sem solução clara e inequívoca) o niilismo tecnológico, condição pela qual a técnica não serve qualquer objetivo humano para além da sua própria expressão" (MARTINS, 1997, p. 290).

Tenho me esforçado para acreditar no lado bom, positivo da técnica. Como sinônimo de emancipação, de liberdade... Porém, confesso: não tem sido fácil...

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