segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Intelectual da crise na luta

Imagem: WHOAMI-WHOAREYOU.BLOGSPOT/REPRODUÇÃO DA INTERNET


Paulo Carvalho

O pensamento e o itinerário da filósofa política alemã Hannah Arendt é destado em obra do professor brasileiro Eduardo Jardim
 
 
Hannah Arendt (1906 - 1975) foi uma mulher em tempos sombrios e uma intelectual do recomeço. É de Arendt - filósofa política alemã, de origem judaica, refugiada na França e posteriormente nos Estados Unidos - umas das primeiras respostas à devastação da Segunda Guerra, Origens do totalitarismo (publicado em 1951, com edição definitiva em 1966). A obra é um dos testemunhos filosóficos mais ricos sobre o fenômeno político mais marcante do século 20, assim como um forte sopro intelectual dirigido contra um “mundo” em ruína, paralisado pela banalidade do mal em sua máxima expressão.

 O recém lançado Hannah Arendt - Pensadora da crise e de um novo início (Civilização Brasileira, 160 páginas, R$ 29,90), do professor de Filosofia da PUC-Rio, Eduardo Jardim, oferece uma interessante introdução a obras fundamentais do pensamento de Arendt, abordando seu itinerário intelectual (e pessoal) em três seções. A primeira delas volta-se às pesquisas dos anos 1940, sobre a origens do totalitarismo, em que Arendt propõe uma leitura diferente da corrente em sua época. Para a autora do já citado Origens do totalitarismo, os regimes de Hitler e Stalin não eram formas radicais de autoritarismos ou de ditaduras, mas significaram a ruptura com formas políticas tradicionais e a expressão máxima da falência da autoridade política em curso na modernidade.

 Nas seções seguintes, Jardim ocupa-se da teoria política e da reflexão sobre a vida do espírito, que vincula as atividades de pensar, querer e julgar. “Ao apresentar a visão de Hannah Arendt da política, segui sua sugestão de começar pelo questionamento do preconceito atual contra tudo que é de natureza pública e plural”, sugere Jardim. A teoria da ação de Arendt, exposta em A condição humana (1958), influenciaria pensadores tão distintos como Jürgen Habermas e Giorgio Agamben, tomando a ação como uma atividade que não se confunde com nenhuma outra (e politicamente antípoda da “produção” fabril). A ação supõe a natureza plural do agir, argumentaria Arendt.

Por fim, a leitura de Jardim volta-se a temas presentes em A vida do espírito e Lições sobra a filosofia política de Kant, publicados após a morte da filósofa. Trata-se de uma reflexão (originada no julgamento de Eichmann, em Jerusalém) sobre a incapacidade de pensar e julgar, e sobre o problema do mal.

A pertinente obra de Jardim confirma a certeza que o século desta pensadora foi um século de irreflexão e que sua obra escova a contrapelo as repetições de “verdades” vazias, triviais, assim como a racionalidade dos homens-burocratas com pouca capacidade de pensar sobre o que, afinal, estavam fazendo neste “mundo”.
 
 
Entrevista >> Eduardo Jardim

Imagem: GLAUCIA VILLAS BOAS/CAFEHISTORIA.NING.COM

“Poder é invenção do novo”

Arendt afirma que “aquilo que o sistema totalitário precisa para guiar a conduta de seus súditos é um preparo para que cada um se ajuste igualmente bem ao papel de carrasco e de vítima”. Esse preparo foi feito pelas ideologias. Pergunto: Traços dessa nova noção de lei (que naturaliza os processos históricos) introduzida pelos regimes totalitários ainda marcam as democracias nacionais contemporâneas? De que forma?
A atualidade do pensamento de Hannah Arendt não está tanto no conteúdo dos assuntos que tratou, historicamente datados, mas muito mais no seu modo de pensar. “Pensar sem corrimão” – esse era o lema da filósofa. Isto significa: indagar a respeito do significado de tudo, sem depender de noções aceitas sem discussão. “Ir às coisas mesmas, sem muita teoria!” – foi o que ensinou Hannah Arendt. Esta ideia continua “atual”.

Para responder pontualmente sua pergunta: a avaliação da importância das ideologias no nos regimes totalitários variou ao longo da obra de Hannah Arendt. Em Origens do totalitarismo, ela afirmou que uma espécie de “filosofia da história” desempenhou um papel importante na doutrinação dos cidadãos. Isto teria acontecido tanto na União Soviética, com uma determinada interpretação do materialismo histórico, quanto no nazismo e seu evolucionismo racista.

Anos mais tarde, a partir do momento do julgamento de Eichmann, em Jerusalém, Hannah Arendt observou que os criminosos nazistas, em geral, não eram ideologicamente motivados. Eles agiam mais por obediência, como bons funcionários, sem nunca discutir as ordens que recebiam. Esta foi a razão de Hannah Arendt falar em “banalidade do mal”.

Segundo a leitura de Arendt, a solidão é uma noção fundamental para compreender o totalitarismo. Como o pensamento político de hoje trabalha a noção de solidão?

A solidão é uma experiência de todo homem. Na velhice, na doença e em situações de desamparo, cada um de nós pode experimentar a solidão. A solidão não significa estar a sós. Pode-se estar no meio da multidão e viver em solidão. A solidão tem muito mais a ver com perder a companhia até de si mesmo. A discussão do tema da solidão surgiu para Hannah Arendt em sua indagação sobre qual teria sido a experiência humana explorada politicamente pelos movimentos totalitários. Sua tese é de que a solidão foi essa experiência. Apenas os regimes totalitários exploraram politicamente a solidão. Em Origens do totalitarismo, Hannah Arendt afirmou que muitos traços totalitários continuam presentes nas sociedades contemporâneas. Isto não significa que elas sejam totalitárias. Não seria impossível um retorno do totalitarismo, mas isso exigiria um investimento político nesses fatores que favorecem sua eclosão, como a solidão.

Vivemos um momento de falência da autoridade política?

A falência da autoridade política é um aspecto de uma crise ampla que atravessa a Era Moderna e marca seu fim. Trata-se de uma crise da tradição, da religião e da autoridade política. Esta crise significa a perda da estabilidade do mundo. Já não temos confiança nas crenças tradicionais e tampouco obedecemos aos antigos padrões de comportamento. Esta ausência de sentido caracterizou o modo de ser das sociedades de massa, surgidas no século 20, que foram mobilizadas pelos movimentos totalitários. Na contemporaneidade, sociedades reguladas por princípios estáveis foram substituídas por novas, que funcionam muito mais como sistemas que se autopreservam. A crise da autoridade é vista de dois modos por Hannah Arendt. Por um lado, ela conformou o ambiente político em que surgiram os totalitarismos. Por outro lado, já que não estamos mais presos aos padrões tradicionais, podemos nos sentir livres para agir com mais espontaneidade. Hannah Arendt apostou nesta última possibilidade.

O que é o “mal absoluto” ou a “banalidade do mal”?

Mal absoluto ou mal radical é um conceito presente na filosofia de Kant, utilizado na primeira fase da obra de Hannah Arendt para dar conta do que aconteceu no totalitarismo. Banalidade do mal foi o assunto de Hannah Arendt em Eichmann em Jerusalém, quando ela mostrou que os crimes cometidos pelos nazistas não tinham uma motivação profunda, mas apenas banal. Em uma carta ao amigo Gehrardt Scholem, Hannah Arendt afirmou: “Atualmente, minha opinião é de que o mal nunca é ‘radical’, que ele é apenas extremo e que não possui nem profundidade nem dimensão demoníaca... Apenas o bem tem profundidade e pode ser radical.”

Arendt, que opunha os conceitos de poder e violência, tem uma noção de poder muito distinta da de Foucault. As duas reflexões, contudo, são complementares, de acordo com a sugestão de Agamben (para o italiano, Arendt não teria entrevisto a força do biopoder e suas relações com o estado democrático, enquanto Foucault teria passado ao largo do totalitarismo alemão). Enxerga essa complementaridade entre as leituras de Foucault e de Arendt?
A proximidade dos pensamentos de Hannah Arendt e de Foucault tem mais a ver com o fato de que os dois autores abordaram o tema da crise do mundo contemporâneo. Foucault viu essa crise no fim do homem como o nexo das sociedades modernas. Com isto, elas chegam atualmente ao seu fim. Este foi o assunto de As palavras e as coisas. Neste contexto, opera-se o controle político da vida. Já Hannah Arendt examinou a crise ampla da sociedade moderna e centrou sua atenção no aparecimento dos totalitarismos.
 
Para Hannah Arendt, realmente, poder e violência são incompatíveis. Onde começa a violência, cessa o poder. Poder é espontaneidade, é pluralidade, é invenção do novo, é a eloquência de múltiplas vozes. A violência é muda, tem um caráter instrumental, depende de determinados recursos. Na visão de Hannah Arendt, o desafio das revoluções modernas foi de criar um novo estado de coisas sem apelar para a violência. Elas frequentemente fracassaram neste aspecto.
 
Matéria publicada no Diario de Pernambuco em 05/02/12.

A vez do setor 2,5


MICHELINE BATISTA
michelinebatista.pe@dabr.com.br
Empresas que misturam atividades lucrativas com impacto social estão entre empreendimento privado e as ONGs

Rede de ensino Prepara Cursos oferece cursos profissionalizantes a preços acessíveis para jovens, desde 2004. Imagem: ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS

Um modelo híbrido de negócios está em expansão em todo o mundo. O chamado setor 2,5 reúne empresas que estão na interseção entre os empreendimentos privados (segundo setor) e as organizações sem fins lucrativos (terceiro setor). Também chamado de empreendedorismo social, esse modelo mistura atividades lucrativas e um impacto positivo nas populações de baixa renda, criando um alto valor social.

Um exemplo clássico de empresa do setor 2,5 é o Grameen Bank, criado em 1976 pelo professor indiano Muhammad Yunus. O banco sediado em Bangladesh, Índia, é especializado em microcrédito para a população carente. Calcula-se que, até agora, cerca de US$ 11 bilhões em empréstimos já tenham sido liberados para aproximadamente oito milhões de pessoas.

Uma das célebres frases de Yunus resume bem o espírito do empreendedorismo social: “O desafio é inovar os modelos de negócios e aplicá-los para produzir os resultados sociais desejados com economia e eficiência. Podemos criar uma alternativa poderosa: um setor privado movido pela consciência social, criado por empreendedores sociais”. Em 2006, Yunus ganhou o Prêmio Nobel da Paz por sua atuação como banqueiro social.

No Brasil, segundo estimativas, existem cerca de 120 empresas que atuam orientadas por propósitos sociais. E a tendência é a de que esse número cresça exponencialmente, já que o setor começa a despertar interesse dos fundos de investimento. Além do microcrédito, o setor 2,5 tende a se desenvolver com base em quatro outras áreas: habitação, ensino, saúde e saneamento.

Fundada em 2004, a rede de ensino Prepara Cursos oferece cursos profissionalizantes a preços acessíveis. “Preparamos e capacitamos o jovem para que ele acesse o mercado de trabalho, geralmente o primeiro ou segundo emprego”, diz o presidente da rede, Rogério Gabriel. São mais de 60 cursos com duração de um ano e mensalidade variando entre R$ 60 e R$ 100.

É possível uma empresa como essa ter lucro? Claro que sim. Em 2011 o faturamento da Prepara Cursos foi de R$ 179 milhões, com perspectiva de crescer 35% este ano. Segundo Gabriel, com sua metodologia própria, a rede já ajudou 400 mil pessoas a conquistarem uma formação – 250 mil foram incluídas no mercado de trabalho. Os cursos mais procurados são os de petróleo e gás, auxiliar contábil, turismo/hotelaria e design gráfico. São 483 unidades espalhadas por todo o Brasil, sendo 30 em Pernambuco. Cem novas unidades estão prestes a serem inauguradas.

“A diferença entre uma empresa do setor privado e outra do setor 2,5 é que o lucro é consequência de um trabalho bem planejado, focado em um mercado estratégico (as classes C e D) e realizado com responsabilidade social”, conclui Rogério Gabriel.



Empresa tem que ser rentável


Marcos Gurgel aposta na formação cidadã e na qualificação profissional. Imagem: HELDER TAVARES/DP/D.A PRESS

Para ser uma empresa do setor 2,5, não basta ter foco no social. É preciso, antes de tudo, ser autossustentável e/ou rentável, ou seja, o empreendimento não pode depender de recursos públicos ou privados de terceiros para funcionar. Outro requisito fundamental é transformar a vida das pessoas, seja melhorando sua condição de vida ou trazendo-as para o mercado de consumo.

“O que não se pode é confundir empreendedorismo social com filantropia. Um empreendimento como o Grameen Bank é social porque oferece juros baixos e facilidade de pagamento. Não é caridade”, alerta a gestora de orientação empresarial do Sebrae-PE, Maria da Conceição Moraes. Segundo ela, o negócio até pode receber uma ajuda no início para se desenvolver. Mas apenas no início.

Entre os diversos modelos de negócios 2,5 encontramos aqueles mistos, que possibilitam a formação de pessoas de baixa renda para que se tornem produtoras ou fornecedoras de bens ou serviços. Outros pensam o produto de forma a otimizar o meio ambiente a baixo custo, como os equipamentos de produção de energias alternativas etc.

O caminho escolhido por Marcos Gugel foi a formação cidadã e a qualificação profissional. Ele começou em meados dos anos 1990 com uma escola-padaria na Ilha Santa Terezinha, comunidade de baixa renda localizada no bairro de Santo Amaro, no Recife. Há oito anos, abriu em Igarassu a delicatessen Campo Fertile. Juntamente com a esposa e sócia, Inês, Marcos dá oportunidade a jovens carentes da cidade e municípios vizinhos. É a chance do primeiro emprego.

“Damos esperança a jovens que esperam uma oportunidade. Somos uma empresa pequena, mas nosso regulamento interno tem como referência grandes multinacionais. As pessoas saem daqui sabendo como se comportar em qualquer empresa do ramo de alimentação”, diz Inês Gugel.

Em 2011, a Campo Fertile venceu a etapa estadual do Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas (MPE Brasil), como Destaque de Boas Práticas de Responsabilidade Social e Destaque de Inovação. A etapa nacional do prêmio acontece em março, em Brasília. (M.B.)



Casos de negócios sociais no Brasil

Banco Palmas
microcrédito (CE)

Ideaas
energias alternativas (RS)

Projeto Aurora
produção e distribuição de aparelhos auditivos (SP )

Solidarium
comércio solidário

Terra Nova
regularização fundiária

Casos de negócios sociais em outros países

1001 Fontaines
produção de água potável (Cambodja)

Aravind/Aurolab
rede de hospitais (Índia)

Babyloan
microcrédito online (França)

Blue Energy
energia sustentável (Canadá)

DMT Mobile Toilets
banheiros portáteis (Nigéria)

Grameen Bank
microcrédito (Índia)

Grameen Danone Foods
combate à desnutrição (Índia)

Kashf Holdings Private

microfinanças (Paquistão)

Kiva

microcrédito online (EUA)

La Fageda

cooperativa de produtos lácteos (Espanha)

Matéria publicada no Diario de Pernambuco em 05/02/12.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Professor pode ser isento de Imposto de Renda

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que isenta do Imposto de Renda os professores em exercício na rede pública de educação infantil, fundamental, média e superior. O PL nº 2607/11 é de autoria do deputado federal Felipe Bornier (PSD-RJ).

Mais informações aqui.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Universo de Asterios Polyp

Por André Dib

Drama de um arquiteto em crise é a espinha dorsal de uma excepcional reflexão sobre a vida


Elementos de arte moderna, filosofia e psicanálise estão incorporados na própria estrutura narrativa. Imagem: DAVID MAZZUCCHELLI / QUADRINHOS

Dez entre dez listas trazem Asterios Polyp (344 páginas, R$ 63) entre as melhores publicações em quadrinhos lançadas no Brasil em 2011. É sem dúvida o mais elaborado trabalho de David Mazzucchelli, cujo talento já era evidente nos anos 1980, quando criou com Frank Miller o que permanece até hoje como duas grandes referências dos quadrinhos de super-heroi: Demolidor: a queda de Murdock e Batman: ano um. Nos anos 1990, Mazzucchelli deu um novo salto artístico ao adaptar o livro Cidade de vidro, de Paul Auster.

Mais de uma década depois surge Asterios Polyp, sua primeira graphic novel 100% autoral. Originalmente publicado em 2009, o drama de um arquiteto em crise é a espinha dorsal de uma excepcional reflexão sobre a vida, em que elementos de arte moderna, filosofia e psicanálise estão incorporados na própria estrutura narrativa. O resultado é impressionante.

Para se ter uma ideia da complexidade da obra, lançada no fim do ano passado pelo Quadrinhos na Cia., selo especializado da Companhia das Letras, Mazzucchelli só liberou a versão brasileira após atestar a qualidade da tradução feita pela mesma editora para Jimmy Corrigan, de Chris Ware. O cuidado vai desde a fidelidade com a escala CMYK, padrão de cores utilizado para técnicas de impressão, até o respeito pelas fontes e balões criados de acordo com a personalidade de cada personagem.

Sim, Asterios Polyp é sobre como os pontos de vista e a compreensão de mundo podem condicionar o que chamamos de realidade. É o que ocorre com o personagem-título, arquiteto celebrado na academia, mas que nunca teve um projeto edificado. Vaidoso de sua racionalidade cartesiana, ele tem suas convicções abaladas após profunda decepção amorosa. Tímida e com uma visão de mundo orgânica, ela é o completo oposto de Asterios, expansivo e calculista.

Outro aspecto catalizador está no narrador, Ignazio, irmão gêmeo de Asterios, que morreu antes do parto. É nele que o arquiteto projeta seus sonhos não-realizados, como o de se tornar um arquiteto comercialmente bem-sucedido, capaz de colocar projetos na prática. O encontramos na noite de seu 50º aniversário, quando um raio destrói o que lhe resta, um apartamento com uma coleção de registros de sua própria vida por câmeras, como busca de seu irmão fantasma.

Perdido, Asterios deixa todas as certezas para trás. Linhas e cores de Mazzucchelli acompanham a mudança. Sem ser pomposa ou pedante, poucas vezes uma história em quadrinhos expandiu fronteiras e chegou tão alto na arte de contar uma história.

As imagens dizem tudo

Moebius é publicado no Brasil pela editora Nemo. Imagem: EDITORA NEMO/DIVULGAÇÃO
A editora mineira Nemo vem fazendo um belo serviço ao devolver os quadrinhos de Moebius ao mercado brasileiro de quadrinhos. O projeto começou em maio, com a publicação de Arzach, até então inédito no país. Agora chega às lojas Absoluten Calfeutrail & outras histórias. Nos dois livros, algumas HQs já haviam sido publicadas isoladarmente por outras editoras, nos anos 1980 e 1990. Uma delas, o essencial Garagem hermética, está prevista os próximos meses.

Um dos artistas mais cultuados do quadrinho europeu, Jean Giraud assumiu o pseudônimo Moebius em 1963, quando publicou uma série de tiras para a revista Hara Kiri. Ficou conhecido em 1974, quando se tornou um dos fundadores da Métal Hurlant. Já famoso, nos anos 1980, fez uma parceria com Stan Lee, ao desenhar uma graphic novel protagonizada pelo Surfista Prateado. No cinema, trabalhou na arte de Alien (1979), Tron (1982) e O quinto elemento (1997).

Publicadas originalmente nos anos 1970, as histórias de Absoluten Calfeutrail trazem um Moebius experimental, que transgride as regras da narrativa visual dos quadrinhos. São fantasias nada escapistas, que reúnem humanos e alienígenas em mundos alternativos, de formas delirantes. Como boa distopia, a crítica social emerge de situações improváveis, quase sempre certeira, como na erótica Pau doido que, disfarçada de ficção científica, aborda a repressão sexual do trabalhador comum. O texto é econômico ou simplesmente não existe. Na arte fantástica de Moebius, palavras raramente ajudam. As imagens já dizem tudo. (André Dib)
Publicado no Diario de Pernambuco em 3/01/12.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Gilles Deleuze: o filósofo da imanência

Andréa C. Botelho / Psicóloga da Clínica do Luto

Em 18 de janeiro de 1925, em Paris, nasceu Gilles Deleuze, considerado o filósofo da imanência. Em novembro último, foram comemorados os 16 anos do seu falecimento. Junto com filósofo Michel Foucault, Gilles Deleuze foi apontado como um dos dois responsáveis pelo renascimento do interesse pelo trabalho de Frederick Nietzsche. Conheceu e trabalhou com o psicanalista Félix Guattari, com quem teve uma relação de colaboração em trabalhos comuns.

Deleuze morreu em Paris, em 4 de novembro de 1995, aos 70 anos, após ter deixado de sua máscara de oxigênio, a qual vivia preso, e lançado-se da janela de seu apartamento. Considerava sua doença como uma morte em vida. Para muitos, o seu suicídio não deveria ser visto como algo negativo ou destrutivo. Pouco antes de precipitar-se voluntariamente para a morte, Deleuze falava de vida:

“vida de pura imanência, neutra, para além do bem e do mal, pois que apenas o sujeito que a encarnava no meio das coisas a tornava boa ou má”.

Gilles Deleuze viveu 70 anos. Lembro-me do quanto o seu nome era comentado nos bancos de minha faculdade. Especialmente no mestrado, quando seu nome era quase sempre associado ao do psicanalista e filósofo Félix Guattarri, pela professora Ana Lúcia Francisco – fã de ambos os filósofos.

O ato de Deleuze deixar a máscara de oxigênio foi um gesto considerado libertário, para muitos que conheciam Deleuze e sabiam o quanto a saúde era importante para ele. Segundo seus biógrafos, Deleuze não aceitava doença. O que o tornava singular era a filosofia e as reflexões que ela lhe proporcionava. Não poder continuar dando prosseguimento aos seus estudos, por causa de sua doença, fez com que ele, desesperadamente, pusesse cabo à vida. Sem a filosofia, para ele, estava tudo acabado.

Entretanto, pouco antes de seu suicídio, Deleuze falava-nos exatamente sobre vida: “vida de pura imanência, neutra, para além do bem e do mal, pois que apenas o sujeito que a encarnava no meio das coisas tornava-a boa ou má”.

Publicado no Diario de Pernambuco em 02/12/11.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Operadoras virtuais chegam ao mercado

MICHELINE BATISTA
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Sem rede e frequência próprias, elas utilizam a estrutura de outras operadoras móveis e já estão regulamentadas

Imagem: SILVINO/D

Vêm aí as operadoras móveis virtuais. Elas não têm rede nem frequência próprias, utilizam a rede de outras operadoras e compram minutos, SMS e dados no atacado. Uma novidade que deve mexer com esse mercado que no país é dominado pela Claro, Oi, TIM e Vivo. Estima-se que a taxa de migração fique em torno de 5% já em 2012, ou cerca de 14 milhões de clientes, atingindo segmentos específicos que as operadoras “reais” não conseguem atender ou atendem mal.

O regulamento dos Serviços Móveis por meio de Rede Virtual, ou Mobile Virtual Network Operator (MVNO) foi aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em novembro de 2010. Em agosto deste ano, a agência aprovou as duas primeiras autorizações de prestação do SMP por meio de MVNOs em todo o território nacional – Datora Telecom e Porto Seguro Telecomunicações. De acordo com a Anatel, outras duas solicitações estão sendo analisadas.

“As MVNOs estão se estruturando no Brasil. Algumas já estão treinando pessoal e planejando seu portfólio de produtos e serviços”, diz o diretor de tecnologia da Bichara Tecnologia, Daniel Bichara. A Bichara fornece equipamentos para as enablers, empresas que fazem a interface entre as MVNOs e as operadoras reais. Está sendo preparado um lançamento para o próximo semestre (logo após o carnaval) e outros três para o segundo semestre de 2012.

Os lançamentos serão nacionais. No caso da Porto Seguro Telecomunicações, a seguradora oferecerá o serviço em parceria com a operadora TIM e com a enabler Datora Telecom. A TIM fornecerá as antenas e a Datora ficará responsável pela operação, gestão de tráfego, emissão de contas e acordos de interconexões. A Porto Seguro ficará responsável apenas pelo atendimento a clientes.

“É assim que funciona em todo o mundo e tem dado muito certo. É fato que as grandes operadoras não conseguem atender bem seus clientes, tratados como meros assinantes. Basta pensarmos nos call centers congestionados. Fora isso tem a especificidade de cada público que a grande não consegue enxergar”, comenta Daniel Bichara.

As MVNOs surgiram na Europa há cerca de dez anos e costumam ser operadoras pequenas. A maior delas, a Tesco, uma grande rede varejista inglesa, tem cerca de cinco milhões de clientes. A Vivo, por exemplo, tem 68 milhões. Não a toa, redes como Carrefour e Pão de Açúcar já anunciaram que analisam a possibilidade de se tornarem MVNOs. Alguns bancos e os Correios também estão nessa lista.


Mercado específico




O forte das MVNOs é o foco em segmentos específicos do mercado. Imagine que você é cliente de uma rede varejista e costuma trocar os pontos acumulados em compras por produtos nas lojas. Se essa rede for uma MVNO, você poderá trocar esses pontos por minutos para falar no celular, por exemplo. E você não receberá SMS sobre cursos de inglês ou quizzes, mas sobre as promoções do hipermercado.

Segundo Daniel Bichara, diretor da Bichara Tecnologia, as vantagens não acabam por aí. “Como essas operadoras possuem um número menor de clientes, podem conhecê-los melhor. Podem ter de fato um relacionamento”, completa. De que adianta, por exemplo, ter no seu plano um pacote de mil torpedos se você só costuma enviar 20 por mês? A MVNO vai perceber isso e oferecer planos e pacotes customizados de acordo com a sua necessidade.

Por não terem rede própria, as MVNOs possuem um baixo custo de implantação e um custo operacional menor do que as operadoras tradicionais. E, porque compram no atacado (minutos, SMS, dados etc), pagam um valor menor em relação ao preço médio do varejo. Ou acabam adquirindo participação na receita da operadora “real”. Por isso, acredita-se que os preços serão bem competitivos.

“Hoje, o serviço de telefonia móvel é muito ruim no Brasil, e o atendimento é pior ainda. Acreditamos que uma significativa parcela da população optará pela migração para um MVNO de sua preferência, com ofertas mais adequadas a seu perfil”, conclui Daniel Bichara.  (M.B.)


















Publicado no Diario de Pernambuco em 27/11/11.

Internet via TV por assinatura

Micheline Batista
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Plano Nacional de Banda Larga é visto como grande oportunidade para expandir atuação


As operadoras de TV por assinatura via satélite (DTH) estão estudando uma forma de oferecer, também, o serviço de internet rápida. Elas enxergam no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), criado pelo governo federal, uma grande oportunidade de expandir sua área de atuação. Hoje, 4,6 milhões utilizam o serviço de banda oferecido pelas empresas de TV que utilizam a tecnologia do cabo.

“O PNBL representa o segundo salto para o setor de TV por assinatura. O primeiro foi em 1990, com a chegada dessa tecnologia ao país”, disse ontem o assessor jurídico da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), José Guilherme Meuger, ao participar do 5º Congresso de Direito da Informática e Telecomunicações (V Telecon). O evento ocorreu no Hotel Manibu, no Recife.

Segundo José Guilherme, as operadoras de DTH, que representam 52,7% desse mercado, estão nesse momento testando diversas tecnologias para poder oferecer o novo serviço. Aliás, não só a internet rápida como também telefonia, tornando-se triple play. “A banda larga é onde se vê mais futuro”, comentou o assessor jurídico da ABTA.

A vantagem das operadoras DTH, como a Sky, é que elas cobrem 100% do território nacional, enquanto as empresas a cabo chegam a apenas 258 municípios. Um diferencial que apenas a telefonia fixa possui. A internet que chega via telefone fixo também tem o poder de alcançar os 5.564 municípios brasileiros, e hoje conta com apenas 9,7 milhões de usuários.

“Se todas as operadoras de TV pudessem oferecer banda larga, mais consumidores seriam beneficiados”, avaliou o advogado e presidente da Associação Brasileira dos Consumidores de Telecomunicações (ABCTel) Renier Coelho.

O setor de TV por assinatura está saindo de um status de baixíssima para baixa penetração. São 11,9 milhões de clientes no país, praticamente o dobro do que havia em 2008, quando o setor fechou com 6,2 milhões de assinantes. A expectativa é a de que a nova lei do setor (12.485/11) seja regulamentada até março de 2012.

Publicado no Diario de Pernambuco em 26/11/11.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O ocaso de Fidel // O melhor e o pior da ilha


Conversando hoje com uma amiga começamos a falar sobre Cuba. Curiosa, ela queria saber detalhes sobre o cotidiano da ilha de Fidel, então lembrei de um material que escrevi quando ele se retirou do poder, em 2008, deixando em seu lugar o irmão Raúl. Reproduzo abaixo. Depois vou ver se coloco umas fotos...

O ocaso de Fidel // O melhor e o pior da ilha



Micheline Batista
Da equipe do Diario


Transição // Visitar Cuba é uma experiência que revela as estratégias de sobrevivência de um povo após a revolução de Fidel Castro

Visitar Cuba pode ser considerada uma experiência no mínimo curiosa - aprende-se um pouco sobre socialismo e sobre capitalismo em um só país. Isso porque a ilha de Fidel Castro, desde a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética, em 1989, vem mostrando que é possível conviver com a corrupção e com a existência de classes tal como num país capitalista. O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, desde março de 1962, penaliza e ao mesmo tempo impulsiona os cubanos a tirarem o máximo proveito do turismo. Quem consegue acumular mais pesos convertibles, vive melhor.

O peso conversível foi criado pelo governo cubano em meados da década de 1990 como moeda turística, mas acabou se tornando um fator de exclusão social. Por valer 25 vezes mais que a moeda nacional, e até mais que o dólar (sua cotação é semelhante à do euro), esse dinheiro diferenciado é motivo de cobiça entre os ilhéus. Enquanto 1,65 milhão de trabalhadores recebem um salário mínimo de 225 pesos cubanos por mês, um guia turístico ou porteiro de hotel pode ganhar mais, em um só dia, através da propina, nome interessante que eles usam para gorjeta.

O turismo é, desde os anos de 1990, a principal atividade econômica de Cuba. Sem a ajuda soviética, o país perdeu entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões anuais em subsídios e precisou buscar alternativas para gerar renda. Contudo, o que deveria trazer divisas para o país acabou gerando, por tabela, muitos problemas sociais. A corrida pelo "dinheiro extra" que vem do turismo está transformando muitos cubanos em corruptos. Em Havana, é comum encontrar taxistas desligando o taxímetro na metade do percurso. Cobram do cliente a corrida completa e embolsam a parte que não foi registrada.

Como se não bastasse toda essa distorção, "roubar" produtos do governo também virou uma prática comum em Cuba. "É como nos viramos. Se eu trabalho numa fábrica de sapatos e tu numa fábrica de charuto, eu dou um jeito de pegar uns sapatos para trocar pelo fumo. Depois a mercadoria é vendida ou trocada no mercado negro", afirmou abertamente um guia a um grupo de turistas. Em Trinidad, acabei comprando duas caixas do Montecristo nº 4 em um desses esquemas, a um preço mais baixo do que no comércio tradicional. Paciência.

Consumo - Talvez os cubanos nem queiram acumular riqueza, seguindo a cartilha ortodoxa do capitalismo selvagem. Mas querem consumir. De convertible em convertible, os cubanos que lidam diretamente com turistas conseguem comprar o que o governo não lhes garante na ração básica, como queijos, manteiga, carnes, roupas, sapatos. Podem, inclusive, sonhar em comprar aquela geladeira nova que custa 600 pesos conversíveis, ou a bagatela de 15 mil pesos nacionais.

Em Camagüey, um condutor de bicitáxi contou que largou o emprego do governo, onde ganhava um salário mínimo, para abrir seu próprio empreendimento - o transporte de passageiros. Pequenos negócios privados são permitidos pelo governo. O condutor tomou essa decisão porque precisava criar quatro filhos e achava que sendo autônomo ganharia muito mais. E ganha. Basta fazer as contas: se ele fizer quatro "corridas" por dia, a 5 pesos conversíveis cada, poderá ganhar em um dia o equivalente a dois salários mínimos. Assim, fica fácil entender por que os cubanos são tão loucos pela moeda turística.


Muito além do turismo

Estive em Cuba em abril de 2005, de férias. Durante duas semanas, percorri praticamente todas as províncias, ou pelo menos as mais acessíveis a turistas, entre Havana e Santiago de Cuba - incluindo aí Bayamo, Camagüey, Sancti Spiritus, Cienfuegos, Santa Clara e Matanzas, onde está localizado Varadero, o balneário tuístico cinco estrelas. Entre a ida de avião e a volta em ônibus turístico, percorri pouco mais de 1,6 mil quilômetros.

Em Santiago, cercada pelas montanhas de Sierra Maestra, onde Che, Fidel e outros revolucionários iniciaram as guerrilhas na década de 1950, tive logo uma panorâmica das relações sociais em Cuba. No Parque Céspedes, coração geográfico e religioso da cidade, uma mulher que tentava me vender uma cédula de 3 pesos cubanos - a que traz estampado o rosto de Che - disse que não podia conversar muito pois estava sendo "observada".

Com a renúncia de Fidel Castro, no poder desde 1959, todo esse sistema terá que ser repensado. Não porque os exilados de Miami exigem. Odeclínio do castrismo pode ser visto nas ruas povoadas por prostitutas. Até a saúde, um dos pontos intocáveis do regime, vem sendo questionada. Sobram médicos, mas faltam remédios para cuidar dos doentes.

Um enfermeiro em Sagua La Grande (província de Santa Clara) me pediu para enviar aspirinas e vitamina C pelo correio, pois a quantidade que o governo disponibiliza no posto médico local é muito pequena. Infelizmente, a remessa de medicamentos por correspondência é proibido pelas regras internacionais.


Um olhar sobre o cotidiano cubano


Eleições - Nunca pensei encontrar "colégios eleitorais" na Ilha de Fidel, já que, no imaginário popular, não existem eleições diretas em um país com regime ditatorial. Viajando de Varadero a Santa Clara, presenciei um desses dias de eleição. Jipes e caminhões do governo levavam eleitores da zona rural para votar e eu, curiosa que sou, fui logo perguntando como era o funcionamento do sistema. São mais de 14 mil circunscrições em todo o país e cerca de 25 mil colégios eleitorais. Podem votar cubanos a partir dos 16 anos, mas o voto não é obrigatório. Apesar disso, pesquisas indicam que 90% dos cubanos comparecem às urnas. Não vi outdoors nas ruas recomendando esse ou aquele candidato, nem campanhas na televisão. Promessas também são proibidas. As biografias e fotos dos canditatos ficam disponíveis apenas nos colégios eleitorais, onde são afixados cartazes com dizeres como Elegir al mejor por el merito y la capacidad ("Eleger o melhor pelo mérito e pela capacidade") e Por el mejor y el mas capaz ("Pelo melhor e mais capaz"). As eleições em Cuba são realizadas a cada cinco anos e os cubanos elegem diretamente os delegados das circunscrições, membros de câmaras municipais e provinciais (cargos semelhantes aos de vereador e deputado estadual) e deputados da Assembléia Nacional. Cabe à Assembléia Nacional eleger, entre seus deputados, os membros do Conselho de Estado, cujo presidente desempenha a função de comandante-em-chefe. Foi desta forma que Fidel Castro se manteve quase 50 anos no poder.

Defesa da Revolução - Cuba comemora em 2008 o 49º aniversário da Revolução. Outdoors com frases patrióticas costumam ser espalhados por todo o país, utilizando as imagens de Fidel, Che Guevara e outros líderes do levante de 1959. Fidel é, ao mesmo tempo, amado e odiado pela população. Em um táxi, em Havana, o motorista deu a entender que não podia falar mal do "Comandante" porque o veículo estava grampeado. A denúncia foi feita com um olhar de relance pelo retrovisor. Sensação de liberdade vigiada. Nas províncias, os Comitês de Defesa da Revolução (CDRs) são responsáveis pela manutenção da ordem, organizam campanhas de vacinação e cuidam da limpeza e da segurança das ruas. Há sempre policiais nas esquinas. Passeando pelas ruas de Cienfuegos, por várias vezes tive a sensação de que estava na Europa, dado o ar cosmopolita da cidade. Pinta de primeiro mundo. Por outro lado, soube de umas histórias cabeludas, não se sabe se verdadeiras ou fantasiosas. Em uma delas, diz-se que o governo cubano vai atrás dos desertores e os confina em prisões. Os reincidentes são# executados. Quando criança, eu também ouvia dizer que comunistas comem criancinhas#

Energia e água - A Ilha de Fidel é abastecida unicamente por termelétricas movidas a óleo diesel. São pouco mais de 30 usinas. O fornecimento é precário e os blecautes são comuns. Os hotéis costumam ter geradores para garantir o conforto dos hóspedes - são cerca de cinco mil geradores em todo o país -, mas esses não são infalíveis. Em Santiago de Cuba, onde vi outdoors com a frase Energía - Cuba lo necessita, dormi duas noites no escuro e no calor. Sem ventilador ou ar condicionado, as muriçocas fizeram a festa. Cuba compra petróleo da Venezuela e processa a maior parte do produto em refinarias próprias. Vi várias funcionando. Um detalhe curioso são as joint ventures formadas entre o governo cubano e empresas estrangeiras, notadamente canadenses, para prospecção de petróleo em solo cubano. O negócio foi possível a partir das emendas feitas em 1992 à Constituição cubana, que é de 1976. O abastecimento d'água também é bastante precário. Presenciei em algumas províncias pessoas vendendo nas ruas água potável "a granel".

Internet & mídia - A internet chegou a Cuba em meados dos anos 1990 e, desde o início, o acesso é absolutamente restrito. Estrangeiros, jornalistas, diplomatas, funcionários públicos e pesquisadores podem requerer uma autorização especial, com navegação controlada. Turistas precisam pagar muito caro para poder ter acesso à rede mundial de computadores em hotéis ou em quiosques nas ruas. Em Varadero, hospedada no Hotel Internacional (da estatal Gran Caribe), paguei cerca de 90 pesos conversíveis (algo próximo dos R$ 250) por duas ligações rápidas para o Brasil e menos de dez minutos de internet. A mídia cubana é outro exemplo do forte controle estatal exercido sobre os meios de comunicação. O Granma é o principal jornal cubano e tem circulação nacional. Qualquer semelhança com diários oficiais não é mera coincidência. Na TV, são dois canais: Cubavisión e Tele Rebelde. Na maior parte do tempo, os canais exibem telejornais com notícias de Cuba e algumas internacionais de interesse do regime, além de programas educativos. Os longos discursos de Fidel também são repetidos à exaustão na TV e o mais impressionante é que, passeando pelas ruas, vemos cubanos parados atentamente na frente da TV. Aqui e ali, uma antiga novela brasileira.

Flexibilização - A nova Constituição cubana deu garantias ao investimento estrangeiro e alguma flexibilidade ao comércio externo. Tanto que, depois de 1992, algumas redes hoteleiras internacionais começaram a se instalar em Cuba. Meliá, Breezes, Mercure e Sofitel são alguns exemplos. Em Santiago de Cuba a fachada em vidro do Meliá contrasta com a arquitetura histórica do centro da cidade. Mas não deixa de ser esquisito ver propriedades privadas em um país onde tudo é do governo, da fábrica de charuto ao táxi. Com a abertura, alguns pequenos negócios particulares (restaurantes, por exemplo) também tornaram-se possíveis.

Alimentação - Em Cuba quase não se come carne bovina, já que não há grandes áreas para pasto. A culinária é dominada pelas carnes de frango e porco, animais que podem ser criados no quintal de casa. Curiosamente, apesar da ilha estar localizada no meio do Mar do Caribe, pouco se come peixe. A cozinha típica da terra é a crioula, uma combinação das tradições espanholas, africanas, indígenas e chinesas (há um bairro chinês em Havana). Os pratos mais tradicionais são o congris (arroz e feijão vermelho cozidos na mesma panela) e o ajiaco, um guisado de vegetais. Repolhoe cenoura são comuns, mas o mesmo não se pode dizer da alface e da tomate. A yuca (macaxeira) é amplamente consumida, principalmente frita, assim como a banana comprida. Para os estômagos mais fortes há os chicharrones (torresmos) de porco. Pequenos agricultores podem pleitear parcelas de terra para agricultura, mas metade da produção é do governo. A outra metade é utilizada para subsistência ou comercializada nos mercados públicos.

Ração - Cidadãos cubanos têm direito a uma cesta de produtos por mês, pagando cerca de 1 peso conversível (ou 25 pesos cubanos). Os produtos são retirados em bodegas e controlados através de cadernetas. Na bodega Las Cinco Esquinas, em Camagüey, anotei os produtos disponíveis: arroz, feijão, chicharo (espécie de leguminosa), açúcar refinado, açúcar marrom, sal, azeite, sabão de banho, sabão de lavar, pasta dental, café, pão e cigarros. Lá são atendidos 609 consumidores em 195 núcleos, entre eles 18 niños (crianças). A distinção é feita porque apenas crianças e idosos têm direito aleite e carne bovina. Um guia revelou que a ração não chega à metade do mês. Daí a necessidade do cubano "se virar", cobrando propinas em pesos conversíveis ou roubando produtos das empresas do governo.

Publicado no Diario de Pernambuco em 24/02/2008.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Diversão entre amigos

Com mais de 200 milhões de usuários, mercado dos jogos sociais deve movimentar US$ 1 bilhão este ano e conquistar os dispositivos móveis

Ataide de Almeida Jr.

Imagem: MAURENILSON/CB/D.A PRESS


A cada mês, 75 milhões de pessoas retomam as atividades de prefeito em uma cidade, cerca de 34 milhões cuidam de fazendas, 10 milhões servem refeições em cafés, mais de três milhões viajam no tempo atrás de objetos históricos e cinco milhões comandam uma máfia. Essa é apenas uma parte do universo dos usuários de jogos sociais presentes em sites como o Facebook e o Orkut. Só na rede de Mark Zuckerberg são 200 milhões de usuários que participam dos games mensalmente. Os aplicativos seguem uma linha básica: a necessidade de captação de mais amigos para evoluir. As interações, quais sejam elas (roubos, casamentos, construções etc.), dependem do número de parceiros, vizinhos e relacionamentos que o player conseguir juntar. O nome game social é fruto dessa união dos passos dos jogos com a interação fornecida pelas redes sociais.

Além de viciantes, eles geram lucro para as empresas. De acordo com a consultoria eMarketer, as plataformas devem movimentar no mundo US$ 1 bilhão até o fim deste ano — sendo R$ 300 milhões no Brasil. Tamanha quantia e volume de acessos que um jogo pode gerar despertou a atenção de empresas com tradição em games para outras plataformas, como a Electronic Arts (EA). Um dos produtos de maior sucesso da companhia, The Sims, ganhou a versão social e está disponível no Facebook. Em menos de uma semana após o lançamento, ele recebe diariamente mais de 7 milhões de usuários, de acordo com a App Data, e está entre os cinco mais jogados no Facebook.

Seguindo o mesmo caminho está O poderoso chefão que vai desembarcar em breve na rede social de Mark Zuckerberg. O jogador é convidado a escolher uma das cinco grandes famílias que formavam uma máfia em Nova York e lutar por dinheiro e poder. Tudo isso com a ajuda dos amigos do Facebook.

O recém-chegado Google também faz suas apostas nesse segmento. A plataforma social de crescimento mais rápido em números de usuários quer convencer os cadastrados a ficar e a explorar a rede. Para isso, incluiu 16 jogos, como o Angry Birds, o Zynga Poker e o Crime City. “Queremos fazer da atividade de jogar on-line tão divertida e tão significativa como se fosse na vida real”, explicou Vic Gundotra, vice-presidente sênior da empresa, em nota. Para tentar barrar o fortalecimento do Google nesse setor, o Facebook prometeu aos produtores de jogos aumentar a participação dos games na página.

O Brasil também desponta como um bom mercado consumidor de jogos sociais. “A inclusão digital permitiu a descoberta das redes sociais e de todas as suas formas de entretenimento”, explica Daniel Kafie, CEO da Vostu, maior desenvolvedora dessa área no país.A gratuidade da maior parte das funções é um dos pontos que mais atrai os usuários. “Há opções que o jogador pode gastar, mas não é mandatório”, afirma Reinaldo Normand, um dos fundadores da 2Mundos, empresa de jogos sociais.

Brincadeira cara

Além de exigir tempo e dedicação, jogos sociais levam ao gasto. Em excesso, vício pode ficar perigoso


The Sims Social

Kamila Ferreira passa 1 hora por dia em jogos
sociais: eles viciam. Imagem: BRUNO
PERES/CB/D.A PRESS

Os adeptos do Facebook ou do Orkut já devem ter percebido que um ou outro — ou muitos — de seus amigos da rede mandam notícias de como está a fase do novo game que começaram ali mesmo no site. Convites para participar não faltam. Para os que não se importam com a insistência dos colegas, um clique é a porta de entrada para também embarcar em aventuras de fazendas, construção de cidades, simulação de famílias. Tudo virtual. Real mesmo só o dinheiro que sai do bolso na hora de comprar itens para melhorar o desempenho nos níveis. E pode ser um valor alto.

Uma pesquisa da consultoria VG Martket Study & PlaySpande feita com mil pessoas revelou que 57% dos usuários de jogos on-line gastam dinheiro com itens virtuais pelo menos uma vez por mês. De acordo com o estudo, os games sociais aparecem em segundo lugar nas atividades que geram mais gastos. A empresa constatou ainda que as mulheres são três vezes mais propensas a adquirir esses produtos.

A analista de departamento pessoal Cínthia Novaes, 35 anos, foi uma jogadora assídua do Colheita Feliz, do Orkut. Além de participar da rede com recados e depoimentos, não hesitou em gastar dinheiro com a brincadeira. Durante um ano, chegou a gastar cerca de R$ 50 por mês em compras no jogo. “Nem pensava duas vezes na hora de comprar, mesmo sendo um objeto virtual”, diz.

Cínthia agora não investe mais tempo em jogos sociais, diferentemente dos mais de 26 milhões de usuários que gastam 25 minutos por dia no celular dedicados aos comandos das teclas, segundo dados de uma pesquisa da Flurry, empresa de análise de plataformas móveis. Foram entrevistados 60 mil players. A novidade é que 53% são mulheres, ao contrário dos que pensavam ser o videogame um atividade masculina.


Efeitos dos games


Há, ainda, os que acreditam não valer a pena desembolsar qualquer quantia nessa atividade: Kamila Ferreira, 22 anos. Desde que fez a conta na rede de Mark Zuckerberg, ela destina uma hora por dia, em média, à atividade. “Antes do Facebook, já procurava jogos na internet, mas nunca eram bons. Agora, gosto porque é prático”, conta. “O bom é o desafio de querer passar de nível”.

Mas muito cuidado com o uso excessivo do computador, em qualquer atividade. Especialistas da Charité University Hospital Berlin, na Alemanha, participaram do estudo da Interdisciplinary Addiction Research Group e revelaram dados sobre os efeitos dos jogos de computador no cérebro. Por meio de estímulos visuais de imagens, foram envolvidos 7 mil players. O resultado das análises cerebrais mostrou que a dependência é semelhante à do vício de drogas como o álcool.

O intenso contato com jogos on-line pode causar problemas sociais, como perda de tempo e falta de interação com a família.

Mobilidade

Ter o controle da propriedade rural ou da quadrilha de mafiosos sempre à mão também é um fator que reúne os interessados. As empresas estão expandindo os games para smartphones, tablets e navegadores da internet. O maior sucesso da empresa Zynga, o Farmville, foi baixado quase 7,2 milhões de vezes no iPhone. Menos de um mês após o lançamento, o Café Mania da Vostu, teve mais de 5 mil downloads. “O grande diferencial é o usuário poder ficar de olho no empreendimento mesmo longe do computador. Esse desdobramento complementa a plataforma web”, diz Kafie da Vostu.

No Chrome Web Store — loja de aplicativos dentro do navegador do Google —, é possível fazer o download de graça dos principais títulos de jogos sociais e utilizá-los direto no navegador.

Saiba mais

Os mais populares

Facebook

Farmville:  Lançado em junho de 2009, o Farmville contava com a concorrência do Farm Town, da produtora Slashkey. O game caiu no gosto dos usuários da rede social.

Café World:  fazer de um empreendimento comum um megarrestaurante com os mais variados cardápios. Para conquistar isso, é preciso contratar garçons  que podem ser os amigos do Facebook.

The Sims: utilizando a plataforma do Facebook, parece que a Electronic Arts acertou a mão. Você cria e coinduz a vida das “pessoas”.

The Godfather - five Families:  ainda em fase beta, o game  vai fazer do Facebook uma máfia. A proposta da desenvolvedora Kabam é que, após a escolha de uma das famílias que compõem a saga da história, o jogador deverá fazer o máximo de conexões para conquistar territórios e se fortalecer na área a ser dominada. 

Orkut

Mini Fazenda:  o jogo da Vostu compartilha das mesmas funções presentes no Farmville da Zynga. O usuário constrói e desenvolve uma fazenda pelo cuidado de animais e do cultivo de árvores e sementes variadas.

Colheita Feliz: a moeda verde é o bem mais precioso do Colheita Feliz. É por meio delas que o jogador consegue comprar, sementes, animais e estruturas para a fazenda. Para conquistá-las, é preciso vender os alimentos colhidos.

Café Mania:  o usuário é convidado a criar e administrar seu próprio restaurante virtual, cozinhando pratos, servindo bebidas e arrumando a decoração.

MegaCity:  controlar uma cidade pode parecer tarefa fácil, mas quando se tem metas a serem cumpridas e perseguir o lucro é essencial, a situação complica. São esses desafios que a Vostu propõe no MegaCity. 

Publicado no Diario de Pernambuco em 14/09/2011, p. F1-F2

domingo, 11 de setembro de 2011

A reinvenção do cartão fidelidade

É usuário do Twitter, Facebook? Então você vai curtir o iWiin;), o programa de pontos para as redes sociais

MICHELINE BATISTA
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Proposta do iWiin:) é premiar usuários que
interagem com as marcas parceiras.
Imagem: REPRODUÇÃO DA INTERNET/IWIIN.COM.BR.
Quantas vezes por dia você aciona o botão curtir ou compartilha algum conteúdo no Facebook, Orkut ou Google ? Ou, ainda, retuita algo que achou interessante ou faz check-in nos locais que visita pelo Foursquare? Pois a partir desta segunda-feira você poderá acumular pontos a partir dessas interações e depois trocá-los por prêmios sem pagar nada por isso.

A proposta do iWiin:), primeiro programa de fidelidade nas redes sociais no Brasil, é premiar usuários de redes sociais que interagem com as marcas parceiras, através de posts patrocinados. O investimento no programa é de R$ 5 milhões nos dois primeiros anos, com a perspectiva de chegar a oito milhões de usuários em três anos – ou cerca de 10% dos inscritos nas redes sociais.

O acúmulo de pontos começa já no cadastro – cada conta cadastrada rende dez pontos. Se o internauta for usuário das cinco redes contempladas (Orkut, Facebook, Google , Twitter e Fousquare), são 50 pontos. Se indicar amigos para o programa, também ganha. Para a empresa, a vantagem é saber não apenas a quantidade de cliques nos seus posts, mas também o perfil de quem interagiu.

A Abril Mídia, do grupo Abril, será a primeira marca a ter posts patrocinados no iWiin:), mas a empresa negocia com pelo menos outras dez marcas. “Estamos conversando com 30 agências brasileiras, implicando em um universo entre 150 e 200 contas”, diz o presidente da iWiin:), Sérgio Augusto. Segundo ele, trata-se de um modelo inovador não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. “Pesquisei bastante, mas não encontrei nada similar na internet.”

No caso da Abril Mídia, ganha pontos o usuário que interagir com os posts, sejam textos ou vídeos. Basta clicar. Se compartilhar, ganha mais. A partir de mil pontos acumulados, o internauta já consegue resgatar prêmios como o download de alguma edição da Editora Abril.

De dois mil a vinte mil pontos, o consumidor pode trocá-los por cupons de desconto para utilização nos diversos sites de comércio eletrônico da Abril. Acima de trinta mil pontos, é possível trocá-los por produtos físicos nesses mesmos pontos de venda virtuais. O iWiin:) patrocina ainda um concurso da Abril que vai sortear um automóvel VW Jetta TSI Highline, no dia 5 de janeiro de 2012.

Game virtual
 

Além das premiações por acúmulo de pontos, o iWiin:) está lançando uma espécie de game virtual. “Ganha o usuário que atingir primeiro mil pontos na semana”, explica Sérgio. Na fase de lançamento do programa, que vai de setembro a dezembro, o iWiin:) dará um iPad por semana para quem chegar lá primeiro.

Os brasileiros são usuários intensivos das redes sociais. Uma pesquisa divulgada pela F/Nazca, em parceria com o DataFolha, revela que já são mais de 80 milhões de internautas no país e que cerca de 75 milhões acessam alguma rede social.

Saiba mais

Como funciona o iWiin:)

Usuários
Cadastro – É necessário se cadastrar no site do iWiin:) com pelo menos uma conta de rede social (Facebook, Twitter, Orkut, Foursquare ou Google ). Cada conta cadastrada garante 10 pontos.

Pontuação – Acumulam-se pontos na medida em que se interage com os posts patrocinados pelas empresas, seja clicando ou compartilhando conteúdo. As interações do dia a dia (curtir, comentar, fazer checkin etc) também rendem pontos.
 

Resgate – É possível resgatar a partir de 1.000 pontos, escolhendo um dos prêmios oferecidos pelos parceiros.

Empresas
As empresas podem anunciar nas redes sociais através de posts patrocinados.
Não há limite mínimo nem máximo de investimento.
O anunciante saberá não só a quantidade de cliques no seu post, mas também o perfil de quem interagiu.
Toda a negociação é feita via agências de publicidade.
 

Fonte: iWiin:)

Publicado no Diario de Pernambuco em 11/09/2011.

sábado, 3 de setembro de 2011

Sociólogos latino-americanos encontram-se em Recife




De 6 a 11 de setembro, a Universidade Federal de Pernambuco sediará o XXVIII Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS)

O XXVIII Congresso da ALAS reunirá estudiosos de vários países do continente e trará para Recife grandes nomes da sociologia latino-americana, tais como Emir Sader (Brasil), Nora Garita (Costa Rica), Luis Tapia (Bolívia), Ines Izaguirre (Argentina), Miguel Barnet (Cuba) e Raquel Sosa(México). Mais de 6000 resumos de pesquisas foram inscritos nos 28 eixos temáticos dos Grupos de Trabalho.

O evento, que reunirá pesquisadores em pensamento latino-americano e em teoria social, tem como mote a ideia de “Fronteiras Abertas da América Latina” e propõe cinco temas centrais: Memórias, entre o passado e o futuro; Políticas públicas e identidades, entre as singularidades e as universalidades; Modernidades alternativas: política, cultura e sociedade na América Latina, África e Ásia; Disciplinaridades dialógicas, entre o humanismo reflexivo e a variedade epistemológica e técnica; Amazônia e ecossistemas, entre a depredação econômica e a sustentabilidade planetária.

Segundo o professor da UFPE e vice-presidente da ALAS, Paulo Henrique Martins, “o propósito deste Congresso é consolidar os esforços de articulação realizados em encontros anteriores, em Buenos Aires, Guadalajara, Porto Alegre, Arequipa, Antígua, São Paulo, dentre outros, ampliando a construção do pensamento crítico latino-americano. Neste sentido, há que se favorecer parcerias e cooperações entre países e regiões nas quais vêm se desenvolvendo novos saberes e práticas comprometidos com a construção democrática numa gramática moral, na qual “bem viver” traduz-se no alcance de metas coletivas em torno da dignidade humana”.

Além de conferências com intelectuais de renome da sociologia latino-americana, o evento contará com outras atividades, tais como grupos de trabalho, mesas-redondas, fóruns, encontros, sessões associadas, lançamentos de livros e mostras culturais. Durante os cinco dias de congresso, está prevista a realização de 7 conferências internacionais, 48 mesas-redondas, mais de 4.500 apresentações de trabalhos individuais, além de 5 mostras de filmes e 20 fóruns planetários. 

Um dos destaques da programação é a homenagem aos 40 anos do Movimento Armorial, para a qual foram convidados Ariano Suassuna e Antônio Madureira. A homenagem será realizada na cerimônia de abertura do Congresso, que acontecerá no dia 06 de setembro a partir das 18 horas no Teatro da UFPE. Outras homenagens serão feitas no decorrer do evento a grandes nordestinos que tiveram influência na sociologia feita na América Latina, tais como Josué de Castro, Celso Furtado, Paulo Freire, Gilberto Freyre e Margarida Alves.

XXVIII Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Sociologia (ALAS)
Onde: Universidade Federal de Pernambuco (Campus Recife)
Quando: De 06 a 11 de setembro de 2011
Mais informações:
Site do XXVIII Congresso ALAS: http://www.alas2011recife.com
Agendamento para entrevistas:
Secretaria do Congresso: (081) 9987.1290

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O pesado fardo da telefonia

Cansado das contas de telefone caras? Saiba que 42% da sua fatura é consumida apenas por impostos

MICHELINE BATISTA
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Que a carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo, disso ninguém duvida. Mas em alguns setores parece ser mais pesada ainda do que em outros. É o caso da telefonia, um serviço considerado essencial, de caráter público. Em 2010, o brasileiro pagou R$ 4 milhões em impostos sobre a conta de telefone – por hora. Parece brincadeira. No ano, foram arrecadados R$ 41,6 bilhões em tributos. Se considerarmos os últimos 11 anos, chega-se à incrível cifra de R$ 320 bilhões.

Os dados são da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). Segundo o diretor executivo da entidade, Eduardo Levy, eles se referem apenas à parte paga pela população. “Os impostos que as empresas de telecomunicações pagam vão muito além daqueles que os cidadãos pagam e estão explícitos nos balanços. Encargos trabalhistas, Imposto de Renda e Imposto de Importação são alguns exemplos”, diz Levy.

A carga tributária média que incide sobre os preços serviços de telecomunicações no Brasil é de 42%. Significa dizer que, se o usuário consome R$ 100 em serviços desse tipo, paga uma fatura de R$ 142, em média. Em alguns estados esse valor é ainda maior, por causa da variação na alíquota do ICMS. Vai de 25% a 35%, caso de Rondônia. A mesma conta para os rondonienses, portanto, sai por R$ 167. Dos R$ 41,6 bilhões arrecadados em 2010, R$ 28,3 bilhões foram só de ICMS.

“Entendemos que os governos precisam arrecadar, mas também entendemos que um serviço tão importante como telefonia não pode ser taxado assim”, afirma Eduardo Levy, lembrando que uma grande empresa paga o mesmo imposto que um cliente pré-pago. “Não é justo que uma pessoa que coloca R$ 10 de créditos no celular pague R$ 4 só de imposto”, completa.

O executivo argumenta que a suposta perda de receita seria compensada pelo aumento na arrecadação. “A cada segundo, um celular é ativado no Brasil”, reforça Levy. Se somarmos todos os impostos incidentes sobre o setor, a carga tributária pode variar de 40% a 67% da receita líquida que as empresas obtêm com a prestação dos serviços.

Além dos tributos, há os encargos setoriais. Em 2010, as empresas de telecom repassaram aos cofres públicos R$ 4,75 bilhões a título de Fust, Funttel e Fistel. A Telebrasil diz que, desde 2001, já foram recolhidos R$ 48,6 bilhões pelas prestadoras de telecomunicações. Detalhe: menos de 10% desses recursos foram usados.



Segunda maior arrecadação

Em Pernambuco, a alíquota do ICMS sobre os serviços de telecomunicações é de 28%. De acordo com dados da Secretaria Estadual da Fazenda, a arrecadação do imposto sobre esse setor foi de R$ 909,3 milhões em 2010, configurando-se como a segunda maior arrecadação do estado, atrás somente de combustíveis. Considerando os últimos cinco anos (2005 a 2010), os pernambucanos pagaram R$ 4,6 bilhões em ICMS sobre esses serviços.

Isentar de ICMS a banda larga popular já seria um bom começo para reduzir o impacto dos impostos sobre as contas dos usuários de telefonia. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) tem convênio com alguns estados para cobrança de alíquota zero. Mas uma coisa é a adesão ao convênio, outra é a regulamentação para que ele seja, de fato, implementado.

Pernambuco aderiu em novembro de 2010. Até o momento, no entanto, nenhuma empresa propôs disponibilizar um pacote de serviços dentro das especificações estabelecidas.

Um estudo feito pela GSM Association, que considerou dados de 50 países, mostrou que o Brasil figura na terceira colocação quando o assunto é carga tributária. Perde apenas para Turquia e Uganda. Na comparação com países da América Latina, os brasileiros desembolsam, em impostos sobre  telecomunicações, 40,15%, enquanto a média gasta pelos latino-americanos é de 19,40%. (M.B.)

Publicado no Diario de Pernambuco em 31/07/11.

Poesias, aventuras e charutos

Leitores das fábricas de cigarros cubanos: uma tradição centenária na terra de Fidel

Grisel: leitora da fábrica há 20 anos
e ganha US$ 14/mês. Imagem: ADALBERTO
ROQUE/AF

Havana – Da poesia, ao cotidiano, passando pelas aventuras do Conde de Montecristo: são os operários da fábrica de charutos que escolhem o que querem ouvir, enquanto enrolam os charutos que fazem a reputação de Cuba. Uma leitora pública é especialmente escolhida para a tarefa. Sentada diante de seu micro, Grisel Valdes, 55 anos, é há cerca de 20 anos “leitora da fábrica de charutos”, um ofício que já completa um século e meio, e que a Unesco propôe incluir no patrimônio oral da humanidade.

Na fábrica H. Upmann de Havana, 600 operários ficam em suspense, ao mesmo tempo em que selecionam, cortam e enrolam as folhas de tabaco que vão compor os melhores charutos do mundo. “A leitora é muito importante para nós. Ela é nosso principal aporte cultural. Além disso, nos ajuda a marcar o ritmo do trabalho; segundo o parágrafo que lê, sabemos que enrolamos 50 ou 60 charutos”, explica Julia Curbera, que passou 30 de seus 47 anos nessa função.

Diante das mesas onde trabalham os operários, Grisel pôe os óculos no lugar e começa a ler a primeira página do Granma, o jornal do Partido Comunista de Cuba: hoje, as notícias do presidente Hugo Chavez, hospitalizado em Havana, e os apelos do governo para se trabalhar melhor e mais. “Muitos de nós deixaram a escola antes dos 15 anos, isso nos ajuda a nos manter informados”, acrescenta Irse Martinez, de 40 anos, que trabalha aí há 16.

Firme e doce, a voz de Grisel ressoa em todos os andares da fábrica onde são confeccionados os célebres Montecristo. Como os cerca de 300 leitores de Cuba, Grisel, uma professora aposentada, foi escolhida pelos operários, entre vários candidatos. “Ganho apenas 315 pesos (US$ 14) por mês, mas estou contente porque sei que sou útil, eles têm necessidade de mim”, explica, durante uma pausa, a qual aproveita para conversar com seus ouvintes e fumar um charuto, confeccionado especialmente para ela, por Hugo Zulueta. Aos 41 anos – dos quais 18 na fábrica -, Hugo é particularmente ligado a ela: “a leitura nos permite um pouco de evasão; amo meu trabalho, mas é cansativo fazer sempre a mesma coisa”. As primeiras leitoras remontam a 1865. E nesta importante atividade, desempenharam um papel primordial na promoção de lutas sociais, graças ao canal de comunicação que encarnam. As leituras são um quê a mais para os trabalhadores.
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Publicado no Diario de Pernambuco em 31/07/11.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Poucos doutores e mestres na política

Matéria publicada hoje pelo jornal Diario de Pernambuco traz um levantamento feito pelo Congresso em Foco sobre a escolaridade dos deputados e senadores. A pesquisa analisou o currículo de 652 parlamentares, entre titulares eleitos e suplentes que assumiram desde o início da atual legislatura. De todos os deputados e senadores, apenas 55 concluíram algum curso de pós-graduação strictu sensu. E há apenas um pós-doutor, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), pós-doutorado em economia.

No Senado, além de um pós-doutor, há dois doutores, três mestres e oito especialistas. Já na Câmara são 12 doutores, 37 mestres e 111 especialistas.

No caso de Pernambuco, a matéria destaca que, dos 25 deputados, apenas um tem doutorado: Mauricio Rands (PT). No mais, três fizeram mestrado - Bruno Araújo (PSDB), Gonzaga Patriota (PSB) e Pedro Eugênio (PT) - e outros quatro possuem título de especialista - Danilo Cabral (PSB), atual secretário estadual das Cidades, Fernando Ferro (PT), Jorge Côrte Real (PTB) e José Chaves (PTB).

terça-feira, 21 de junho de 2011

Campanha Banda Larga



Hoje colei no blog o HTML da Campanha Banda Larga - Uma ação pela internet barata, de qualidade e para todos. E hoje também ocorre na internet um tuitaço com a hashtag #minhainternetcaiu, com mensagens do tipo:



Pois bem. As mesmas operadoras que sempre pintaram e bordaram nesse país são as mesmas que vão participar do plano elaborado pelo governo para universalizar o acesso à banda larga. E, lógico, vão querer continuar com as mesmas práticas. Significa que o acesso não vai custar apenas R$ 35 como o governo definiu. A Oi e a Telefônica já anunciaram que querem fazer a venda casada do acesso de 1 Mbps, junto com a linha telefônica, nas cidades com índice de desenvolvimento humano (IDH) acima da média nacional.

O governo também abre as pernas. Propõe regime privado ao invés de público para exploração do serviço. O regime privado é o mesmo das operadoras móveis, que cobram o quanto querem e só disponibilizam o serviço onde for lucrativo. Ainda hoje, muitas localidades remotas seguem mudas, sem sinal de telefone celular. Já no regime público, de concessão, as teles estão sujeitas ao cumprimento de metas de universalização e qualidade, têm os preços regulados, e ainda assim fazem o que fazem.

Na segunda-feira 20/06, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou carta ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, solicitando a revisão de alguns pontos do Plano Nacional de Banda Larga. Entre eles a falta de imposição de controles tarifários, metas de universalização, além de parâmetros de qualidade e gestão pública das redes. O Idec também defende a prestação do serviço de banda larga em regime público.

Vamos dizer não aos abusos!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Manifesto lança game e foca no exterior


Vicente Vieira e equipe: game traduzido em 10 idiomas. Imagem: BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS






Fruits Inc aposta no download content, versão trial que expira em uma hora


De olho no potencial internacional, a pernambucana Manifesto Game Studio está apostando alto no Fruits Inc, seguindo a tendência do downloadable content. Os internautas acessam os portais e baixam uma versão trial, que expira com uma hora. Para jogar a versão completa é preciso pagar.

Dez meses foram necessários para a equipe - de 14 pessoas - planejar, desenhar e programar o jogo. “Já fizemos mais de 20 games em linhas diferentes, mas o Fruits se destacou por ter sido pensado para o público norte-americano. Felizmente, também recebemos pedidos de tradução para dez línguas, como coreano, alemão, francês e espanhol”, afirma o diretor de negócios Vicente Vieira, 28 anos. De acordo com ele, o jogo está disponível por cerca de US$ 7 em grandes portais como Big Fish Games e GameHouse.

O jogador fica na pele de Brooke, personagem principal. A avó se aposentou e deixou uma pequena fazenda da família para ela cuidar. “Descobrimos que 70% do público desses jogos são mulheres”, comenta Vicente Vieira. São 45 levels que proporcionam 10 horas de gameplay. Ainda existe a possibilidade de administrar fábricas de suco, geleia e torta.

A Manifesto Games, que foi fundada em 2005 e funciona na Rua do Apolo, apostou na customização e na preocupação com o meio ambiente para diferenciar o seu público. Você pode conhecer mais acessando www.bigfishgames.com e o www.gamehouse.com.


Publicado no Diario de Pernambuco em 1º/06/2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tecnologia invade o ambiente de trabalho

Smartphones, tablets, notebooks ou pen drives se confundem com tradicionais ferramentas da empresa

Micheline Batista
michelinebatista.pe@dabr.com.br

Os dispositivos tecnológicos de uso pessoal invadiram de vez o ambiente de trabalho. E não adianta a empresa proibir, tem que saber conviver e aprender a tirar proveito da situação, pois existe um consenso de que eles aumentam a produtividade. Os preços caíram e a mobilidade hoje é uma necessidade. Smartphones, tablets, notebooks ou simples pen drives já se confundem com as tradicionais ferramentas corporativas.

Fernando Petean implantou normas para uso dos palmtops pelos funcionários Foto: Cecília de Sá Pereira/DP/D.A Press


Uma pesquisa feita pela IDC mostrou que cerca de 70% das pessoas que possuem ou pretendem comprar um iPhone planejam utilizá-lo tanto para entretenimento quanto para trabalhar. Elas investem o próprio salário para ter acesso não apenas à internet e a informações pessoais, mas também aos e-mails corporativos. Outra prática que se torna cada vez mais comum é salvar o trabalho em um pen drive para poder terminá-lo em casa.

´Estudos mostram que já existe um volume bastante significativo dessas tecnologias interagindo no ambiente de trabalho. Algumas empresas tentam restringir ou mesmo impedir o uso para se proteger, mas isso está mudando porque tem sido constatado que as pessoas que dispõem desses dispositivos acabam tendo melhor desempenho`, diz o diretor de Negócios de Outsourcing da Unisys, Paulo Roberto Carvalho.

Segundo o executivo, houve uma inversão de prioridades. No passado, eram as empresas que primeiro tinham acesso às tecnologias de ponta, até mesmo por uma questão de custo. Atualmente, as pessoas podem ter acesso ao que existe de mais avançado e muitas empresas não conseguem acompanhar o ritmo frenético de lançamentos. ´Quando a empresa começa a testar um produto para poder homologá-lo, aparece outro mais avançado`, afirma Paulo Roberto.

Riscos
Evidentemente, não há apenas benefícios. O uso indiscriminado de tecnologias pessoais no ambiente de trabalho traz riscos às redes corporativas. Teme-se que elas fiquem mais vulneráveis a vírus e a invasões de todos os tipos. ´O risco existe, mas ele é inerente a qualquer ambiente de comunicação sem fio. Não é porque um funcionário conecta um smartphone ou tablet na rede da empresa que ela vai ficar mais vulnerável. O problema é o mau uso`, completa o diretor da Unisys.

É recomendável, portanto, que cada empresa formule uma estratégia para gerenciar o uso cada vez mais crescente desses dispositivos entre os funcionários. Uma política de gestão, que inclua ferramentas de proteção como senhas e antivírus, pode evitar que um mal maior aconteça. O que não se pode é proibir. ´O smartphone possibilita um aumento da produtividade para os profissionais que precisam estar sempre conectados`, atesta o gerente de Serviços de Valor Agregado (VAS) para o segmento corporativo da TIM, Arnaldo Basile.

Aliás, é cada vez mais comum a própria empresa fornecer os dispositivos móveis para uso de seus funcionários. Outro estudo, feito pela IDC América Latina com 460 empresas de 250 ou mais funcionários na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México, revela que 84% delas possuem algum tipo de smartphone corporativo em uso por seus colaboradores.

"Estudos mostram que já existe um volume bastante significativo dessas tecnologias interagindo no ambiente de trabalho` Paulo Roberto Carvalho, diretor de Negócios de Outsourcing da Unisys


Produtividade aumenta


A Meta 55 Distribuidora, com sede no bairro de Afogados, no Recife, saiu do talão de pedidos de papel para os palmtops e, mais recentemente, para os smartphones. Hoje são cerca de 120 aparelhos rodando nas mãos de vendedores, supervisores e gerentes, o que exigiu uma política de gestão diferenciada. A empresa distribui produtos de higiene pessoal e limpeza para supermercados, farmácias, padarias e lojas de conveniência.

´O ganho de produtividade foi enorme, mas adotamos uma política em que o funcionário não recebe dados durante o expediente, somente envia. Para a atualização dos dados armazenados nos aparelhos estabelecemos apenas três horários - às 7h, às 14h e às 18h`, diz o diretor da empresa, Fernando Petean, referindo-se às atualizações de estoque, faturamento, crédito e cobrança.

Segundo Fernando, essa medida tem evitado contaminação por vírus e ataques aos servidores da empresa. E não apenas isso. Entre as 18h e as 7h os smartphones não funcionam para tráfego de dados, nem para receber, nem para enviar. ´Já fomos acionados na Justiça do Trabalho por ex-funcionários que enviavam pedidos de casa de madrugada alegando hora-extra e era má fé. Então colocamos essa restrição`.

Arnaldo Basile, da TIM, diz que a comercialização de smartphones para o mercado coporativo representa hoje mais de 20% das vendas de dispositivos móveis da operadora. ´Responder um e-mail usando um smartphone já não é mais uma tarefa penosa e demorada, pois os novos aparelhos possibilitam que os usuários acessem e visualizem seus e-mails como no computador, com fotos e textos em HTML; abram planilhas em Excel, documentos em Powerpoint e PDF`, exemplifica. Com essas ferramentas à mão, os colaboradores ficam mais confortáveis para ir a campo, lidar diretamente com os clientes e resolver problemas fora do escritório. (M.B.)

Publicado no Diario de Pernambuco em 27/03/2011.